sábado, 6 de junho de 2009

Socorro! Tenho dívidas!

( Este texto foi publicado no Jornal do Abranches e no Assembleia em Foco, em 2003).

Você vai pagar dívidas com o 13º salário? Depois faz outras piores, não é? Por que não resiste às “promoções” enganosas e ao desejo de presentar? Este hábito de comprar por emoção (sem pensar) traz arrependimento e muita dor de cabeça.

Em 1998 Alice estava indo por um caminho perigoso. Tentei orientá-la, mas não deixou. Enquanto comprei uma calça jeans por 15 reais, ela comprou uma “de marca”, numa loja de griffe num shopping-center, por quase 200 reais! Tanto a dela quanto a minha duraram o mesmo tempo. Em 2000, desesperada, contou-me o resultado da compra maluca: foi atrasando os pagamentos, a ponto de a loja passar a cobrança para uma financeira. Quando me procurou, a calça comprada sem pensar já era uma dívida de R$ 1.300,00! Uma simples calça jeans! As preocupações fizeram a moça engordar, gastar com dieta e medicamentos, sofrer de insônia, e por aí vai.

Você não vai para o inferno por comprar a prestação, mas prestações podem tornar sua vida um inferno! E se você está pedindo a Deus para sair do inferno financeiro, não tape os ouvidos. Siga pelo menos estas dicas.

1 – Anote tudo. Quem não anota não sabe onde meteu o dinheiro. Dá um pouco de trabalho, mas é a única maneira de ver quais as bobagens que estão comendo o seu dinheiro.

2 – Adie os presentes: as pessoas gostam de gente sincera. Diga aos amigos e parentes que por enquanto a situação está difícil; que você deseja muitas felicidades, mas desta vez não pode presentear ninguém.

3 – Use suas armas: Sua principal arma é o bom senso. Liquide todas as contas que puder.

4 – Negocie consigo mesmo. Se a tentação para comprar for irresistível, compre bombons de cinqüenta centavos, camisetas de cinco reais, mas nunca chocolates caros, perfumes de marcas famosas, etc. Uma caneta de cinqüenta centavos escreve às vezes escreve melhor que uma de quarenta reais.

5 – Não se iluda: nunca dê cheques pré-datados, pois eles podem “cair” na conta quando você não tem dinheiro, e então o banco vai cobrar os olhos da cara em taxas de devolução, etc. Você só terá motivos para se arrepender.

6 – Não saia com o inimigo: se você tem cartão de crédito, deixe em casa. Seja radical mesmo, para evitar juros superiores a 10% na fatura do mês seguinte (e aí as coisas ficarão cada vez mais horríveis).

7 – Amarre o devorador: acabe com cheques especiais. Se o saldo está negativo (devedor), negocie para liquidar em várias vezes (o menor número possível de parcelas, para não ficar pagando um monte de juros e aquelas horríveis e intermináveis prestações).

8 – Feche os pequenos vazamentos: se você recebe salário em banco, insista para ter apenas “conta-salário”. Todos os outros tipos de conta cobram taxas mais altas.

9 – Não morda a isca: as ofertas de “4 vezes sem juros” têm juros escondidos. Pechinche o mais que puder para comprar à vista e com desconto. Ameace não levar, se não quiserem dar desconto. Não tenha medo de “perder” a compra. Você só tem a ganhar.

10 – Não acredite em papai-noel: as ofertas inocentes tipo “só 15 vezes de 16,99” são um compromisso de R$ 254,85 e têm juros embutidos sim. Talvez em outra loja você consiga o mesmo produto à vista por uns 150 reais, ou seja, quase pela metade do preço.

11 – Fuja das financeiras “como o diabo da cruz”: as “boazinhas” facilitam a sua vida cobrando 13,8% de juros mensais, mas há quem chegue a 17%! Isso significa de 472% a 658% de juros por ano! Isto significa que você compra UMA coisa mas paga SEIS! Nem “Ali Babá e os Quarenta Ladrões” roubavam tanto!

12 – Dicas finais: As pequenas coisas consomem um bocado de dinheiro. Leve muito a sério.

(1) – Acostume-se a desligar luzes, rádio e televisão, a não abrir a geladeira a todo momento, etc.

(2) – Se você precisa mesmo de celular, use pré-pago ou com cartão. Aqueles com fatura mensal comem trinta e tantos reais todos os meses (quase quatrocentos num ano!). Se não precisa desesperadamente da “coleira eletrônica”, faça como eu: passe adiante!

(3) – Se você tem Internet em casa, tente usar só depois da meia noite e nos fins de semana, quando não são cobrados pulsos a cada dois minutos.

Noé P. Campos é bancário aposentado e escritor, com pós-graduações em Logística Empresarial, Psicologia do Trabalho e Neuropsicologia, além de diversos outros cursos e muitas experiências profissionais.

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