(Texto originalmente publicado no jornal "Carta Aberta", em fev. de 2005)
No Natal, o “tsunami” (onda gigante causada por maremoto) devastou países, matou quase duzentas mil pessoas e desabrigou milhões. E ameaça o Brasil!
Refiro-me agora a um “tsunami” moral. Não bastassem desemprego e fome, corrupção e violência, certos políticos são inimigos da sociedade imprudente que os elegeu!
Mas por que eles ousam tanto?
Porque somos inertes e omissos!
Devíamos ser luz do mundo e sal da terra, mas... os outros que sejam! Os outros que acendam a luz e dêem sabor!
Tal passividade pode nos enquadrar no que Jesus disse: “para nada mais presta senão para jogar fora e ser pisado pelos homens”.
Condenando o comodismo da alienação, Bonhoeffer disse: “e porque não era conosco, não fizemos nada”. Pensando estar seguros, os evangélicos nada fizeram quando o nazismo começou a perseguir os judeus. Depois, quando as vítimas foram eles, já não havia ninguém para os defender. Por quê? Porque quando os outros precisaram “não fizemos nada”.
Tal “não fazermos nada” tem franqueado o caminho para a decadência na maioria dos países, inclusive o nosso. Não temos “tsunamis”, mas estamos ameaçados: o Deputado Eduardo Valverde (que certamente recebeu votos de cristãos irresponsáveis) propôs nada menos que a legalização da prostituição! Seu projeto (PL 4244/04) propõe que os “trabalhadores da sexualidade” podem ser explorados por terceiros!
Esfregue os olhos! Você não se enganou!
Está no projeto: “são trabalhadores da sexualidade... quem submete o próprio corpo para o sexo com terceiros, mediante remuneração previamente ajustada, podendo ou não laborar em favor de outrem” (grifo meu).
A que ponto chegamos!
Enquanto nossa Polícia Federal e polícias internacionais procuram desmantelar as quadrilhas do turismo sexual e do tráfico de escravas, que têm desgraçado milhares de mulheres jovens, um inimigo da sociedade consegue instalar-se na Câmara Federal para propor que a escravatura sexual seja protegida pela lei – e ainda que seja “abençoada” com os impostos que nós, as famílias, pagamos!!!
É a ameaça de um verdadeiro “tsunami” moral!
Em Ezequiel 22.30, Deus lamenta: “Busquei dentre eles um homem que fechasse o muro e se pusesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei”. E, porque ninguém fez nada, aquela terra foi destruída!
Para ser contra um projeto tão nefasto nem é preciso ser cristão. Basta ser decente. Mas quantos cidadãos de bem reagiram a essa tentativa de devastação do pouco de decência sexual que resta neste país? E quantos deputados de boa índole discursaram contra a derrocada dos últimos valores morais desta sociedade?
Direto ao ponto: EU e VOCÊ, já fizemos o quê? Vamos às rádios, tevês, jornais, púlpitos, auditórios, salas de aula! Que se participe de abaixo-assinados! Que façamos tudo que se puder (Ec 9.10). E que façamos logo!
Felizmente, nem todos somos omissos. Os evangélicos paranaenses tiveram o bom senso de eleger o Dr. André Zacharow, que já propôs o arquivamento do projeto, manifestando-se também contra “casamentos” homossexuais (seu discurso foi publicado em órgãos evangélicos de circulação nacional, como o Mensageiro da Paz). Em outros Estados, também há políticos sérios colhendo assinaturas, promovendo reuniões e resistindo a essa onda gigante – o “tsunami” da imoralidade – para não desgraçar ainda mais o Brasil.
Também há pastores agindo. Graças a Deus por eles! Mas que se multipliquem às centenas, promovendo reuniões e manifestações, colhendo milhares de assinaturas contra o projeto!
Mas eu e você? Será que “como não é conosco, não faremos nada”?
Quando a Constituição ia escancarar as portas para o crime recrutar menores (através da impunidade patrocinada pelo inferno), acreditamos que nossos filhos cristãos estavam imunes às drogas, etc., e “não fizemos nada”. Resultado: não temos segurança nem nas prisões de luxo que chamamos de condomínios e milhares já morreram – cristãos ou não, jovens ou não – por causa da violência.
E agora? Cremos que ninguém recrutará “trabalhadores do sexo” entre nossas famílias e por isso não faremos nada, de novo?
No fim do ano, na Ucrânia, milhares de cristãos conscientes fizeram manifestações ordeiras contra as fraudes na eleição presidencial. Nem com neve caindo arredaram o pé da praça pública. Resultado: a eleição foi anulada e o outro candidato foi eleito sem fraude. Por que tiveram a sábia atitude de não aceitar a podridão política? Porque sabiam que se eles não se levantassem contra, ninguém mais o faria. Não apenas oraram para Deus intervir: dispuseram-se a ser parte da resposta!
Inspiremo-nos em Neemias (Ne 4, etc.) e no espírito ucraniano! Não sejamos párias! Mobilizemos o interesse dos vizinhos, irmãos, colegas, familiares e amigos.
Não espere mais! Envie mensagens ao Deputado Zacharow, fortalecendo a posição dele contra esse tipo de projetos. Ore para que ele continue bem representando os cristãos verdadeiros e “tapando as brechas”!
Mas que Zacharow não seja o único. Exija informações e posicionamentos do deputado que você elegeu. Parabenize-o quando acerta, mas reclame quando ele errar. Quem elege é responsável pelo que ele faz certo ou errado. Ore por ele, para que seja íntegro e de boa índole. Que ele seja mais um a tapar as brechas e a reconstruir os muros espirituais desta nação.
Ou, se ele é de índole reprovável, tenha consciência: vote em alguém melhor, da próxima vez. Só assim os “tsunamis” da destruição moral demorarão a chegar!
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