sexta-feira, 17 de julho de 2009

ENQUANTO DORMIMOS NA LAMA...

(Texto originalmente publicado no jornal "Carta Aberta", em Julho de 2005)

ENQUANTO DORMIMOS NA LAMA...

Se declarações sobre Ciência e Bíblia levaram uma conhecida revista evangélica a dizer que sou um “cientista evangélico com idéias para lá de polêmicas”, imagine o que não estarão pensando alguns “donos de púlpito”, depois que atribuí a culpa do atual momento político aos crentes (Carta Aberta, Jun/2005)! Refiro-me, claro, a pregadores que defendem a omissão, principalmente na política, porque “nossa pátria está no céu” e os cristãos “não são do mundo” (Jo 17.16), etc.

Espere um pouco!

Jesus disse isso, mas também disse: “não são do mundo, COMO EU do mundo não sou”. Eis aí problema: quantos de nós somos COMO Jesus?

Ele disse mais: que NÃO SOMOS, mas ESTAMOS no mundo (Jo 17.11). Então, se somos de outra pátria e Ele disse que nos enviou ao mundo (Jo 17.18), temos enorme responsabilidade: “somos embaixadores de Cristo” (2 Co 5.20). Como tais, somos observados e tudo que fazemos afeta o conceito do mundo tem da pátria ou reino que representamos.

Por isso, Jesus instruiu sobre o comportamento requerido:
“Resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (MT 5:16).

Mas como podemos produzir boas obras?

“Aquele que diz que está nele deve andar COMO ELE andou” (I João 2:6).

Como foi que Jesus andou?

Sendo exemplar: quando os cobradores perguntaram a Pedro se Jesus pagava certo imposto (digamos, o Imposto de Renda da época), e apesar de se enquadrar como isento, Ele mandou que Pedro pagasse, para ninguém se escandalizar (Mt 17.24-27).

Sendo insuperável: Jesus foi o profissional mais capacitado que existiu; o maior cientista, o maior médico da alma (psicólogo) e do corpo (clínico). Ele fazia tudo tão perfeito que causava espanto (Mc 7.27).

Lembremos: Ele “esvaziou a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2:7). Temos recomendações expressas: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados” (Ef 5:1); “Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo” (1 Co 11.1). Portanto, excelência e vida irrepreensível são perfeitamente possíveis: “tudo quanto fizerdes, fazei-o de coração, como ao Senhor, e não aos homens” (v. Cl 3.17,23). Etc.

Mas como é possível?

Conhecemos algumas histórias: José, de escravo preso e inocente passou a principal administrador do Egito, pela conduta irrepreensível diante de Deus e dos homens. O Daniel leal, digno e íntegro estava comprometido com a excelência, perante Deus e homens. O grande profeta e governante Moisés, manso, despojado e humilde (Nm 12.3), estava pronto a aprender. Quando Jetro (que nem ao menos pertencia à mesma “igreja”!) ofereceu uma “consultoria” propondo níveis auxiliares (Ex 18.14-26), para o líder chamado por Deus administrar com eficiência, este aceitou a instrução e designou homens com todos os requisitos: (1) capazes, (2) tementes a Deus, (3) íntegros e que (4) odiavam a avareza.

Agora assistimos à prova de que Jetro e Paulo tinham razão: “o amor ao dinheiro é a raiz de todo o mal” (1 Tm 6.10): bilhões de reais são desviados da saúde, da previdência e da educação (etc.), multiplicando a miséria dos pobres e enchendo o bolso dos corruptos, que amam a avareza.

Estará o apóstolo falando só de “ímpios”?

A história recente prova que não.

Cristo pagou o maior preço do Universo em favor de quem queira recebê-lo, mas alguns “cristãos” são tão irresponsáveis, têm uma auto-estima tão baixa e se julgam tão baratos que vendem seu voto (consciência) por míseros milhões (e até por menos!), porém em poucos anos enfrentarão o juízo, não de uma CPI, mas do Supremo Tribunal do Universo. Chamados para ser como Daniel, José e muitos outros administradores e políticos incorruptíveis, descobrirão, tarde demais, que trocaram riquezas incomparáveis e inextinguíveis por lixo.

Refletindo novamente...

A culpa é mesmo nossa. Somos crentes omissos. Não salgamos, não brilhamos e não clamamos (2 Cr 7.14). Assim, confirmamos a bíblia: “De que se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados” (Lam.3.39).

A única esperança para restaurar a nossa terra é seguir o roteiro de Deus (analisado em Carta Aberta, Jun/2005), porém raros se dispõem a pagar o preço da intercessão (achando que estão a salvo da miséria e da criminalidade que assola toda a sociedade brasileira).

Passado vergonhoso

Poucos sabem que a Guerra do Paraguai foi um genocídio, com crimes hediondos. Quando descobri, senti enorme vergonha. O Paraguai progredia num ritmo fantástico, admirável, sem nenhum centavo de dívida externa! A História diz que Brasil, Argentina e Uruguai “se defenderam” do Paraguai, mas a verdade é que os países da “Tríplice Aliança” deviam à Inglaterra e o credor mandou atacar o vizinho.

Por quê?

Porque “o rico domina sobre os pobres e quem toma emprestado é servo do que empresta” (Pv 22.7). Por isso a bíblia recomenda fortemente não fazer dívidas.

Mas há outro problema: “Deus não se deixa escarnecer, o que se planta se colhe” (Gl 6.7). Nós, brasileiros, devíamos ao Império. Pressionados pelo credor, matamos 90% dos homens paraguaios, inclusive crianças. Tivemos tempo de nos arrepender e, nacionalmente, pedir perdão, mas, como nação ímpia que somos, não nos arrependemos e não pedimos perdão (pelo contrário, idolatramos alguns criminosos daquela guerra, denominando-os heróis).

Enquanto brincamos...

Comemos, bebemos e dormimos (e alguns chafurdam no mar de lama), sem olhar ao redor, mas será que...

Podemos colher?

No dia da Independência americana, a FSP e o UOL divulgaram notícia alarmante (ver link ao final): os Estados Unidos terão uma base militar permanente no Paraguai. Onde? Na região de Itaipu!

O governo brasileiro nada pode fazer. O Paraguai tem direito (e sobradas razões para ignorar nossos interesses), mas o fato é que, devagarinho, o Império do Norte nos cerca. Em Roraima há regiões proibidas para brasileiros, mas estrangeiros entram e saem como querem. Além disso, sob desculpa de combater drogas, as forças armadas norte-americanas estão na Colômbia, na fronteira com o Amazonas.

Jamais serei ingrato: na extrema pobreza da infância, comi e vesti com ajuda da “Aliança para o Progresso”. Sou grato a Deus e aos americanos (independente dos motivos ocultos), porém sua presença militar assusta. O Vietname e o Iraque que o digam!

Eles têm pretextos para nos atacar?

Não é difícil arranjar. E então poderemos pagar com juros os crimes de guerra cometidos contra o Paraguai.

Socorro!

“De onde nos virá socorro?” (Sl 121.2). O texto responde: do Senhor. Mas, repetindo o conceito, Deus não faz nada para omissos que não se arrependem. Mais uma vez, a resposta é 2 Cr 7.14. É hora de nós, TODOS os evangélicos, nos humilharmos diante de Deus, clamando por perdão, misericórdia e proteção. Lembremo-nos do artigo do mês anterior: SE... ENTÃO...

Façamos a nossa parte – ou choraremos amargamente. SE continuarmos negligentes e insensíveis, ENTÃO as conseqüências virão sobre nós e nossa descendência.

“Entretanto, porque eu clamei e recusastes; e estendi a minha mão e não houve quem desse atenção, mas porque rejeitastes todo o meu conselho, e não quisestes a minha repreensão, também eu me rirei na vossa perdição e zombarei. Vindo o vosso temor como a assolação e a vossa perdição como tormenta, sobrevirá a vós aperto e angústia. Então clamarão a mim, mas eu não responderei; de madrugada me buscarão, porém não me acharão. Porquanto odiaram o conhecimento; e não preferiram o temor do SENHOR: Não aceitaram o meu conselho, e desprezaram toda a minha repreensão” (Pv 1.24-30).

“Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Is 55:6).

Quem tem ouvidos, ouça!

Link da notícia:
http://noticias.uol.com.br/ultnot/2005/07/04/ult23u154.jhtm

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