sexta-feira, 17 de julho de 2009

MISERICÓRDIA!

(Texto originalmente publicado no jornal "Carta Aberta", em Junho de 2005)

MISERICÓRDIA!

Perplexos com escândalos revelados nos últimos dias, caminhamos para nova eleição perguntando o que mais falta acontecer.

Se tivemos um ateu arrogante que pronunciou o mais hipócrita “Glória a Deus, Aleluia!” jamais ouvido neste país, para caçar votos de um milhão de ovelhinhas crédulas, numa convenção...

Se temos um cristão nominal tão desconhecedor da Palavra que disse não ter pecado...

E se “quando os justos governam, alegra-se o povo, mas quando o ímpio domina, o povo geme” (Pv 29.2), então...

... a solução é um presidente evangélico?

Será?

No excelente artigo “A Responsabilidade Moral da Igreja” (Carta Aberta, Maio 2005), Josué Sylvestre enfatiza a importância de o cristão ser sal, antes de ser luz (Mt 5.13). Naquele texto rico em reflexões, faz uma pergunta chocante, que peço licença para editar aqui: “Se é para ser igual à maioria dos políticos... para que eleger evangélicos”?

Nossa realidade é tão lamentável que governantes evangélicos de projeção nacional estão sendo processados sob acusação de compra de votos na eleição de 2004. Se alguns tinham esperança de logo termos nosso irmão como presidente, o sonho acabou.

A bíblia adverte: “a humildade precede a honra, e a soberba a queda” (Pv 16.18).

Muitos confundem o princípio da Autoridade, estabelecido por Deus (v. Rm 13), e crêem que, se alguém chegou ao poder, Deus o pôs lá (e então prestam apoio irrestrito, fazem conchavos, etc.). Mas, a História recente que o diga, Satanás também entronizou gente dele no Planalto.

Há gente digna e incorruptível nos Três Poderes – e graças a Deus por isso! – mas houve épocas em que discuti acaloradamente com alguns políticos, que, apesar dos “toma-lá-dá-cá” e de outros esquemas inconfessáveis, culpavam só o Executivo pelos problemas, sem compreender que não basta haver homens íntegros nos palácios. As casas legislativas também precisam ser formadas apenas por pessoas dignas. O Judiciário igualmente precisa ter somente magistrados impolutos. Mas as raízes são muito mais profundas. Quando ministro, Karlos Rischbieter declarou: “eu não tenho medo do primeiro escalão; tenho medo é do segundo, que sabe como fazer as coisas”. Os mandatários superiores podem ser responsáveis por graves problemas, mas a raiz está na base da população, porque a crise moral contaminou todos os níveis e classes sociais e é da base que se vai ao topo.

A questão básica

Como podemos querer um Executivo melhor que a média dos nossos legisladores, se são eles que ocupam boa parte dos gabinetes do Governo? Como teremos Executivo, Legislativo e Judiciário pautados por princípios elevados, quando a nação transborda de gente maquiavélica, que só procura levar vantagem, sonegar, trapacear, “dar jeitinho”? Como almejaremos um país honesto, se estamos cada vez mais egoístas e grosseiros? Se marmanjões roubam a vaga de uma senhora que sofre para estacionar; se não damos sinal para dobrar e furamos filas ou sinal vermelho; se paramos sobre a faixa de pedestres e aceleramos de propósito para atrapalhar o carro que está pedindo para entrar à nossa frente; se não devolvemos o troco que nos deram a mais, se adulteramos comprovantes, se jogamos lixo nas ruas e até no chão dos nossos templos... por que os outros agiriam melhor? Se “pessoas de bem” se divertem contando a “façanha” de ter roubado objetos em supermercados americanos e canadenses, o que não estarão fazendo no Brasil?

É de pasmar! E veja que mal arranhei a superfície de alguns poucos problemas!

Jesus disse: “Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei” (Mt 25.21). Quando não nos esforçamos para ser fiéis nas “pequenas” coisas, já perdemos o diploma de honradez e não merecemos confiança para as grandes.

(Aqui preciso declarar: não teria autoridade para tocar nesses assuntos sem disciplina no trânsito, sem integridade profissional, etc. Mas, além da gratidão pelas oportunidades que tive, o ter agido com absoluta lealdade, fidelidade e integridade até o último dia de trabalho me permite continuar olhando nos olhos inclusive o último dos líderes bem conhecidos com cuja convivência Deus me agraciou).

Diagnóstico

O diagnóstico não é difícil: “o mundo inteiro jaz no Maligno” (1 Jo 5.19). Não importa o partido nem a “cultura” religiosa de quem governe, a “força invisível” impede de limpar o Brasil do câncer moral disseminado dos palácios às igrejas. Numa palavra: “salvai-vos desta geração perversa” (At 2.40).

Se não quer levar um choque, pare de ler aqui, porque...

A culpa é dos crentes!

Durante séculos, ficamos omissos. Naquele tempo éramos sal, mas nos escondíamos e a nossa luz não alcançava os homens. Agora que somos luz, que temos sido cabeça e não cauda, a corrupção está tão institucionalizada e a maioria dos cristãos é um sal tão ruim que já está sendo pisoteado (Mt 5). Isso para não falar nos mercenários a serviço do inimigo, que “têm nome de que vivem” (Ap 3.1), mas nem ao menos têm vaga no reino dos céus (Mt 5.20).

Resta esperança?

Resta. Mas é só uma.

Deus é absolutamente coerente e confiável. Suas promessas valem mais que a mais honrada Constituição, são mais fidedignas que a mais valiosa escritura registrada em cartório.

Leia 2 Cr 7.14 e veja que promessa!

Mas há um detalhe: ela é condicional (como certas rotinas em programação de computadores: SE... ENTÃO...; atender as condições garante os resultados): “(A) SE o meu povo, que se chama pelo meu nome, [1] se humilhar, e [2] orar, e [3] buscar a minha face, e [4] se desviar dos seus maus caminhos, (B) ENTÃO eu [4] ouvirei do céu e [5] perdoarei os seus pecados e [6] sararei a sua terra” (2 Cr 7.14).

Jesus demonstrou que até para fazer o impossível procurava parceria com as pessoas, a quem cabia fazer o possível (Jo 11.39,44, etc.) e aqui Deus promete agir depois que nós tenhamos cumprido as condições. Não basta [1] humilhar-se, [2] orar e [3] buscar a face de Deus. É preciso [4] desviar-se dos maus caminhos. E olhe a quem Ele está falando: ao “meu povo, que se chama pelo meu nome”!

Desafio

Mais uma vez, Deus está procurando alguém que ocupe a brecha (Ez 22.30), que se disponha a fazer diferença e a pagar o preço que Jesus pagava (mesmo sendo o Filho de Deus!) para ter poder e operar os mais extraordinários milagres: uma vida irrepreensível, com muito jejum e muita oração nas noites e madrugadas.

Já vi milagres como os de Elias na vida de pessoas que jejuam e oram. Deus deu garantias de que “o povo que conhece o seu Deus será forte e ativo, fará proezas” (Dn 11.32). Portanto, se você quiser unir-se a mim para preencher as condições SE... ENTÃO... de 2 Cr 7.14, por favor entre em contato pelo e-mail ou pelo telefone.

Só Deus pode sarar a nossa terra. E Ele conta com você e comigo!

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