quinta-feira, 16 de julho de 2009

POLÊMICAS DE FINAL DE ANO

(Este texto foi originalmente publicado na minha coluna do Jornal Carta Aberta, em Novembro de 2004)

POLÊMICAS DE FINAL DE ANO

A falta de tempo e de espaço só permite breves toques em alguns assuntos “perigosos”, que podemos continuar discutindo oportunamente,via email ou por outros meios.

1. Código Da Vinci, Nostradamus e afins

Carta Aberta perguntou-me se tinha algo a dizer sobre a grande polêmica atual: o Código da Vinci. Pois tenho: é besteira! É mais um esforço contrário ao Criador, à Bíblia e ao Salvador. “Desmascarando o Código Da Vinci” (Editora A. D. Santos) esclarece a respeito. É bom saber que um dos grandes promotores do tal código é um tal Bispo Spong, uma espécie de promotor do anticristo, a favor de casamento gay e todo tipo de coisa antibíblica.

Recentemente foi “O Código da Bíblia” que esteve no auge. Drosnin, seu autor, respondeu a um cético que só duvidaria do código se o mesmo método levasse a descobrir nas obras de um autor clássico a “profecia” da morte do Kennedy. Pois encontraram!

Opinião sobre “O Código da Bíblia”: quando Deus ditou a Moisés letra por letra do Pentateuco, pôs certas informações autenticadoras e codificadas para o tempo do fim, como em Daniel. Por exemplo, nos cinco livros, a palavra Torah (Lei) está codificada de 7 em 7 letras, no primeiro capítulo. Há mais informações, de 8 em 8, 9 em 9, etc. Deus fez isso, sim. Mas especular com milhares de letras de intervalo resulta em “anúncios” como do choque de um asteróide contra a terra em 2001 e outras catástrofes. Nostradamus também “profetizou” a morte de João Paulo II e o fim do sistema papal em 1999, etc.

E então a pergunta: alguma dessas “profetadas” aconteceu?

2. G12. De novo?!...

O comentário sobre um manifesto anti-G12 provocou reações (v. “Confusão corrige erros?”, no Carta Aberta, Out. 2004). As manifestações geralmente são de apoio ou interesse em compreender melhor determinados pontos, mas eu gostaria muito que os que se incomodam tivessem convicções claras a ponto de contradizer, pois as discussões sempre levam ao aprofundamento.

Aproveito para pedir que algum leitor que represente com seriedade o G12 entre em contato comigo. Notícias sobre práticas do grupo, representando extremos bons e maus, geram grande interesse em conhecer melhor a estrutura e as práticas de seus integrantes, pois não é do meu feitio rotular, nem pró nem contra, o que não conheço.

Peço também aos autores e/ou simpatizantes do manifesto que, por favor, rebatam meus argumentos. Um grupo de cientistas evangélicos não teve receio algum de confrontar o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, no próprio “Jornal da Ciência”. Por quê? Porque tínhamos convicções, inclusive informações científicas como base, para refutar a “doutrina da evolução”. Então que se exerça, da mesma forma, a defesa do manifesto anti-G12: com convicções embasadas.

3. Desserviço contra Cristo

Pensei que havíamos melhorado, mas às vezes sinto vergonha. Mediocridade no meio evangélico continua uma realidade deprimente. Recentemente li uma condenação da hipnose, numa dessas revistas denominacionais que pretendem fazer a “defesa da fé”, mas foi um verdadeiro “tiro no pé”. O artigo é de uma mediocridade degradante (como grande parte do que tenho lido!). O pastor que escreveu aquilo não sabe nada sobre hipnose! Vendeu ignorância como se fosse informação! Não é de admirar que as pessoas cultas estejam fugindo dessa igreja!

Lembrete: o título de Pastor não transforma ignorantes em sábios e não dá direito a tais pessoas de dizerem nem escreverem o que lhes vem à cabeça. Será que as nossas editoras não podem recrutar pessoas lúcidas para escrever?

Jesus não usou hipnose (como não usou recursos da medicina), mas isso não a torna demoníaca por si só. Aliás, com mais freqüência do que se imagina, pregadores de denominações pentecostais e neopentecostais utilizam a hipnose ericksoniana (que não leva a pessoa a “dormir”, no sentido literal) para produzir convencimento. A falta de unção e de profundidade na Palavra é substituída por capacidade de emulação hipnótica (como Hitler fazia!). Em parte isso explica o porquê de as igrejas estarem cheias de pessoas não convertidas, apenas aculturadas a certos usos e costumes.

Hipnose é assunto delicado, que não precisa ser usado, mas também não precisa ser tabu. Não precisamos voltar à inquisição e rotular como demoníaco tudo que não entendemos. Quando for possível, voltaremos ao assunto.

4. O deus do comércio e o Cristo do Natal

O Cristo do Natal e o deus do Natal não são o mesmo. O deus do Natal é o dinheiro. Não sacrifiquemos dinheiro sofrido a esse ídolo (às vezes deixando contas por pagar!), dando presentes desnecessários e até inconvenientes. Peçamos a Deus sabedoria e demos amor, ao invés de tentar comprá-lo!

Se temos dinheiro e queremos presentear, produziremos felicidade na terra e reconhecimento nos céus dando meia cesta básica aos milhares de famílias pobres, aos órfãos e às viúvas, mais do que desperdiçando cem ou duzentos reais para dar a boneca ou o jogo da moda a uma criança que não precisa dela. Paciência, amor e um abraço diário em cada familiar valem muito mais do que tentar compensar nossa incompetência como pais com presentes insensatos.

Já que falamos nisso, o bom senso recomenda só comprar à vista. No Brasil os juros continuam os mais altos do mundo. Um objeto financiado em um ou dois anos termina custando o preço de dois ou três!

4. Tradições inocentes?

Que tal uma roupa branca e uma sopa de lentilhas na passagem do ano, “para dar sorte em 2005”? Isso é paganismo! Isso é substituir a busca de Deus por superstições, como se objetos inanimados tivessem o poder de abençoar!

5. Polêmica final

Em recente conferência no Brasil, o autor Tim Keller deu estudo mostrando que um verdadeiro homem de Deus precisa ter duas qualidades ao mesmo tempo: humildade e coragem. Percebo que são qualidades indispensáveis até para compreender a Palavra de Deus.

Muita gente tropeça na humildade de Cristo, que esvaziou a si mesmo e tomou a forma humana (mas sem pecar), e na sinceridade corajosa da Bíblia, que não esconde as falhas dos seus “heróis”. Mas foi justamente isto que levou certas pessoas inteligentes à fé, quando perceberam que, com gente daquele tipo, só um poder sobrenatural podia ter preservado o cristianismo. Entre tais convertidos está o destacado Dr. Augusto Cury, autor de muitos livros inspiradores (“Análise da Inteligência de Cristo” e “Inteligência Multifocal”, etc.).

A questão “nova criatura x quebra de maldição” (parte do manifesto tentando refutar o G12 com base em 2 Co 5.17, como consta do artigo já mencionado) é um dos pontos densos demais (pois uma coluna não permite analisar o assunto com profundidade). Por isso, estou preparando um livro, que já está sendo acompanhado da busca de Deus em favor de sabedoria e unção. Peço que os leitores enviem perguntas e sugestões. Será uma contribuição inestimável.

Que a bênção de Deus nos dê humildade e coragem; que em 2005 nos esforcemos para superar a ignorância e a mediocridade, para então realizar a obra de Deus como “obreiro que não tem do que se envergonhar” (2 Tm 2.15).

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