(Este texto foi originalmente publicado no Jornal Carta Aberta, em abril de 2004).
Tesouros da sabedoria ou... da ignorância?!
“Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Cl 2.3), pelo que estas reflexões ligadas ao conhecimento científico e a outras questões polêmicas não têm o objetivo ridículo de exibicionismo. Pelo contrário, resultam do anseio por estimular outros cristãos, especialmente os jovens, a desbravar sem temor os caminhos da verdadeira Ciência, visto que ela em nada conflita com a Verdade e que só podemos ser luz do mundo (no sentido amplo da expressão) se sairmos “debaixo do alqueire” para nos expormos (colocando-nos “no velador”), e assim, como candeia, iluminemos “a todos os que estão na casa” (Mt 5.14,15), inclusive os que têm preconceitos contra Cristo, não raro por culpa nossa, uma vez que, como cristãos, freqüentemente escolhemos ser ignorantes e não brilhar.
Estrutura e gratidão
Na entrevista ao Metropolitan (de Boston), por causa da análise de “O Triunfo Eterno da Igreja” (de Ouriel de Jesus), o repórter Antonio Paes me perguntou se era verdade que um grupo de pastores do Brasil não se posicionara contra as idéias estranhas à Bíblia porque estava “comprometido” com o autor do livro. Respondi que não tinha provas, mas pus-me a imaginar como eu reagiria em situações de envolvimento. Teria coragem de “comprar brigas” com editores de revistas, se quisesse espaço nos meios de comunicação? Criticaria os cientistas, se convivesse com eles?
Nesse examinar a mim mesmo, senti-me grato por Deus me estar estruturando tanto científica quanto espiritualmente, para proclamar que a Ciência e a Bíblia só parecem incompatíveis quando, como pregadores ou como cientistas, ignoramos a Verdade. Justamente pela ignorância que gerava a insegurança juvenil, antigamente calava, ante críticas à Bíblia. Como contestaria, se os argumentos superficiais e desgastados que às vezes ouvia nos púlpitos não convenciam nem a mim? Como questionaria homens “doutos”, se eu mesmo ignorava que o alicerce do conhecimento deles não tinha a solidez que aparentava? Hoje, como cristão e como homem de ciência (pertenço à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), não preciso calar-me ante o fato de que pastores podem estar errados e de que brilhantes cientistas podem ignorar profundamente realidades científicas e espirituais.
Quer provas?
Uma piada diz que “três classes de seres trabalham nos hospitais: os funcionários, que são humanos; os médicos, que pensam que são Deus; e os cirurgiões, que têm certeza”. Mas, apesar da arrogância comum na área médica, recentes descobertas demonstram que a Medicina ignora muito mais do que sabe, e há excelentes profissionais médicos que reconhecem isso. Por exemplo, na minha última pós-graduação, um excelente Doutor em Neuropsicologia pediátrica declarou: “a medicina não sabe nada; estamos tateando; por sorte, algumas vezes dá certo”.
As notas a seguir demonstram que não foi por zombaria – nem minha nem dele!
Capa da VEJA: “Coração: mudou (quase) tudo”.
1) Coração
O número de 21 de Abril apresentou excelente matéria sobre descobertas recentes a respeito do tratamento de problemas cardíacos. Como diz Veja, “mudou quase tudo”. Por volta do ano 2000, todos os cientistas do coração “juravam” que as placas duras de gordura grudadas às paredes das coronárias (artérias que levam o sangue às paredes musculares do coração) eram o único agente causador de infarto. Agora eles descobriram que estavam errados: a principal causa de infarto são as “placas moles” de gordura, quase invisíveis. Cateterismo, angioplastia, ponte de safena, etc., eram tratamento comum de problemas do coração. Hoje está provado que essas intervenções têm muitos inconvenientes: além de não perceberem a existência de “placas moles”, esses procedimentos médicos invasivos podem romper a membrana fina que as esconde, aí sim gerando um coágulo que pode causar um infarto agudo.
O pior é que essas técnicas agressivas continuam a ser usadas pelo mundo afora!
2) Úlcera gástrica
Somente há dez anos foi descoberto que uma bactéria do piloro é a causa mais comum das úlceras gástricas. Mas... qual é a causa da multiplicação excessiva? Dirão que é uma alteração na mucosa pilórica. Mas qual a causa dessa alteração? Investigação adequada provavelmente mostraria a causa neuropsicológica: rancor prolongado (Gn 4.5-8).
3) Menopausa: remédio “venenoso”
Desde 1960, mulheres que já passaram pela menopausa vêm tomando hormônios como prevenção contra infartos cardíacos, derrames cerebrais e câncer de mama, mas agora, em 2002, os cientistas descobriram que a “reposição hormonal”, além de causar distúrbios das artérias, aumenta o risco de tumores malignos de mama, que prometia evitar! Não é de pasmar?
Como disse meu professor, “a medicina está tateando; ainda bem que de vez em quando acerta”!
O Estado do Paraná: Transgênicos
A edição de 28 de Março traz um artigo muito lúcido do Eng. Agrônomo Valdir Izidoro Silveira, especialista em Biologia do Solo, mestre em Tecnologia de Alimentos, etc. O cientista afirma que “a soja transgênica não é superior em produtividade e tampouco tem custos de produção menores que da soja convencional”. Mostra que os próprios agricultores americanos têm-se queixado e que as promessas de economia são mentirosas.
Como gaúcho, poderia abster-me e não me aliar ao combate à prática disseminada no Rio Grande, mas meus conterrâneos foram enganados pelos interesses mesquinhos da multinacional que patrocina pesquisas com a intenção de monopolizar os produtos dela e depois arrancar até os olhos dos infelizes que dela dependerão até para comprar um saco de semente. Pior: os danos dessas alterações genéticas ao corpo humano, aos animais e ao meio ambiente, no longo prazo, são desconhecidos. E, quando são descobertos, os interesses sem escrúpulo dos gananciosos fazem todo o possível para ocultar, a fim de que seus lucros não diminuam.
Não se sabe quase nada sobre genética! Alguém duvida? Então continuemos.
Scientific American: “O Genoma Oculto”
Recentemente os cientistas declararam haver completado o mapeamento do genoma humano (o código da vida), mas o curioso é que uma hora falam em 27 mil genes, outra em 40 mil, 150 mil, etc. A informação mais recente fala em “três bilhões de letras genéticas”!
Mas não é só! A revista Scientific American (ed. em português, Dezembro e Janeiro últimos) apresenta como subtítulo da interessante matéria “O Genoma Oculto – Além do DNA” o seguinte: “O DNA já foi considerado o único repositório de informação genética, mas os biólogos já estão começando a decifrar uma camada de informação separada...” e, numa legenda minúscula, afirma: “cientistas estão percebendo, cada vez mais, que características importantes podem ser transmitidas fora do DNA”.
Como os textos são extensos e demasiadamente técnicos para quem não é da área, interessa-nos compreender duas coisas:
(1) não precisamos temer a arrogância dos que se acham donos da verdade (pois muitas vezes eles estão completamente equivocados) e
(2) não devemos estar conformados com a nossa própria ignorância, pois Deus ensina exatamente o contrário: “com tudo o que tens, compra a sabedoria, o conhecimento e a inteligência” (div. refs. em Provérbios, etc.).
Não fiquemos sentados, inertes, “esperando a morte chegar”, mas estejamos “sempre preparados para responder com mansidão e temor [respeito] a todo aquele que pedir razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15).
Embora procurando discutir com polidez (por exemplo, declarando que “tenho dificuldades para concordar com o senhor sobre isto”), é preciso muito preparo para dialogar com certos homens de ciência, pois “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. ... Mas nós temos a mente de Cristo.” (1 Co 2.14,16).
Importa-nos saber que Deus declarou: “Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei o entendimento dos inteligentes” (1 Co 1.19). “A sabedoria dos seus sábios perecerá e o entendimento dos seus inteligentes desaparecerá” (Is 29.14). Mas Daniel declarou: “É Ele quem dá a sabedoria aos sábios e o entendimento aos entendidos” (Dn 2.21). E “o povo que conhece ao seu Deus será forte e fará proezas” (Dn 11.32).
Então, sejamos fortes e ativos. Façamos proezas para o nosso Deus! Sejamos luz para um mundo perdido em densas trevas. Tomemos parte nos tesouros do conhecimento e da sabedoria, que estão em Cristo, para anularmos os sofismas que pela ignorância se levantam contra o conhecimento de Deus (2 Co 10.5)!
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